Este texto é de Max Ehrmann e esta tradução é de Padre António Maria Cabral. Um texto que me encontrou há uns anos e que há pouco tempo redescobri.
Caminha pacificamente por entre o ruído e a pressa; lembra-te da paz que pode haver no silêncio. Tanto quanto puderes, e sem transigências, vive em harmonia com todas as pessoas. Diz o que pensas serena e limpidamente, e escuta os outros, mesmo os banais e os ignorantes; também eles têm uma palavra a dizer. Evita os barulhentos e os agressivos, porque são uma tortura para o espírito.
Se te comparares com os outros, podes tornar-te vaidoso e amargo, pois sempre haverá pessoas maiores e menores que tu. Goza os teus triunfos e os teus projectos. Interessa-te pela tua vida, por mais humilde que seja; é um bem autêntico, apesar das mudanças e dos tempos.
Tem cautela nos negócios, porque o mundo está cheio de perigos. Mas não deixes que isso te cegue em relação ao bem que existe. Muitas pessoas lutam por ideais elevados, e em toda a parte a vida está cheia de heroísmos. Sê quem és. Especialmente não aparentes afeições que não sintas. E também não sejas cínico quanto ao amor; não obstante a aridez e o desencanto, o amor é perene com a relva.
Aceita docemente o conselho dos anos, abdicando de boa vontade das coisas da juventude. Cultiva a força do espírito, para te proteger de súbitas desgraças. Mas não te tortures com imaginações. Muitos medos nascem do cansaço e do aborrecimento.
Para além duma íntegra disciplina, trata-te bem a ti mesmo. És filho do universo, como as árvores e as estrelas. E quer o vejas claramente ou não, o universo evolui como deve.
Por tudo isto, vive em paz com Deus, seja qual for a ideia que d’Ele tenhas. E quaisquer que sejam as tuas lutas e aspirações na ruidosa confusão da vida, permanece em paz com a tua alma. Com todos os equívocos e incómodos, continua a ser um mundo muito bonito. Alegra-te. Esforça-te por ser feliz.
O que acharam? apenas bonito? não haverá aqui algumas ideias interessantes, libertadoras?!! penso que também se manifesta a ideia de que está na pessoa ao poder e a responsabilidade de mudar as coisas.
Março 10, 2008 at 1:20 pm
a medida que fui lendo senti um arrepio na espinha.
Ouvi parte deste texto no album de Sam the Kid e por ignorancia e falta de esperteza nunca pesquizei mais…
Sinto que condensa muitas coisas que nos vamos esquecendo a medida que a vida vai passando por nos. E e sempre bom recordar e acordar para a forma como vemos o mundo.
fazendo referencia a uma frase que gosto muito:
“todas as verdades parecem simples quando as descobrimos”
abraco
Março 10, 2008 at 7:34 pm
Pedro,
bela sensação. parece que nos ligamos a alguma coisa que está sempre presente mas por qualquer razão estamos quase sempre desconectados.
subscrevo inteiramente o teu segundo paragrafo!!!
não conhecia essa frase.
acho que nos é dificil aceitar que para ser feliz bastam coisas muito simples. Porque é que não conseguimos fazer o que é simples??? tudo o que é dito pelos sábios é de uma naturalidade e simplicidade…
obrigado por partilhares os teus pensamentos.
Um abraço
Março 12, 2009 at 3:26 pm
Sempre usei esse poema no original para meus alunos de lingua inglesa, como exemplo de texto que ultrapassa a superfície e alcança o essencial. A versão que tenho em português difere um pouco dessa do padre António Maria Cabral, além de conter a informação errada de que “o poema é de 1693 e foi encontrado na Igreja de Saint Paul, Baltimore.
Apesar destes detalhes, o importante é que a mensagem desse poema ainda se impõe com uma força que, hoje, após meus muitos anos de vida e de leitura, me comove como da primeira vez que o li.
Um grande abraço
Março 14, 2009 at 12:34 pm
Cara Djacy,
obrigado pelo seu comentário. Quando o texto me encontrou pela primeira vez foi em papel e tinha a menção que refere.
Na net há várias versões… e concordo consigo de que a mensagem contida neste texto tem uma força intemporal e comovente.