Ontem, reuniram-se em Lisboa, no Teatro da Trindade, um conjunto de pessoas insatisfeitas com o estado actual do país, unidas por uma vontade de contrariar o espirito de desesperança vivido intensamente (e com razões para tal!) pelos portugueses. Falta dizer que também o que as unia nessa noite era uma simpatia pelas ideias políticas de ‘Esquerda’. Gente de Esquerda! Definir ‘Esquerda’ não é fácil. Tarefa que deixo para quem sabe. Limito-me a confiar no senso comum dos leitores.

Estive lá. Tive que esperar… como que uma especie de prova de resistência mas que foi premiada pelos discursos dos intervenientes: Manuel Alegre, José Soeiro e Isabel Allegro de Magalhães.

Retive algumas ideias que gostaria de partilhar e pôr à discussão:

- A pobreza não é inevitável;
- Existe um grande défice social;
- O Estado não é nenhum bicho que tem que ser abatido;
- A lógica neo-liberal é causadora do desequilibrio económico-social;
- A corrupção mantem-se porque é do interesse de uma minoria;
- É possível fazer alguma coisa para mudar;
- Os portugueses têm que se questionar do porque da inactividade perante o sofrimento;
- Pessoas sem direitos sociais não são livres;
- É bastante útil a união de todos os movimentos fora da lógica partidária.

Poderá ser o início de um grande movimento. Tivemos provas quer na candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República, quer na geração de movimentos civicos em volta do referendo relativo à despenalização do aborto, que existe vontade, energia, capacidade de reagir, de mudar na sociedade portuguesa (à margem dos partidos politicos) como tal desejo e acredito que é possível alcançar outras metas e promover a esperança de um Presente melhor!