a descoberta de uma mentira é um processo de sofrimento para o Homem. há quem viva cravejado de mentiras e vive ‘feliz’ porque o estado de ignorância o protege. mas quando descobre a ilusão entra de imediato em sofrimento. obviamente que também pode ser agente activo da mentira: mente, não deixando, contudo, de sofrer por isso.
existem uma série de categorias e graus da mentira. cada um mede-as com subjectividade, no entanto, penso ser senso comum que as mentiras mais dolorosas, as mais dificeis de suportar (no momento da descoberta) são aquelas em que simultaneamente se é o agente activo e passivo, isto é, quando a pessoa quer iludir-se.
será, talvez, uma decisão sensata caminhar na vida sem esse peso, sem essa ilusão. se depende exclusivamente da própria pessoa então deveria ser fácil eliminar uma das causas do sofrimento. o direito à verdade deveria estar consagrado na Declaração Universal dos Direitos humanos. e quem é que na posse de um direito destes vai negá-lo a si próprio?
não parece racional! no entanto acontece. será que as pessoas são ‘tontas’? acho que não. penso que a resposta está no porquê preferirem a mentira naquele momento. ignorância? fraqueza? cobardia? protecção? ingenuidade? …
proposta de mudança: guardar uns minutos, de vez em quando, para desbloquear as ilusões.
Junho 25, 2008 at 10:01 pm
bem, não é toa que no budismo, “não mentir” é uma das paramitas e mandamentos essencias desta filosofoa de vida (não a confundir com “religião”):
http://sanghamargha.blogspot.com/2006/10/os-quatro-paramitas.html
Julho 2, 2008 at 11:41 pm
Protecção? Hum, nao me parece (depois da descoberta ainda é pior)
Fraqueza? Possivelmente (falta de coragem para admitir algo)
Ignorancia? Não (ninguém mente por nao saber. . . )
Cobardia ? Talvez (medo d admitir que errou)
Mas, no fim d tudo, Não há desculpa para a mentira!! Ninguém tem o direito d enganar quem quer que seja!
Talvez, se tenha mesmo de parar para pensar, para “desbloquear as Ilusões”
*
Julho 4, 2008 at 8:32 pm
Hum… já pensaste que há quem nasça com a mentira cravada? Até há quem nasça com origem em mentiras!
Há pessoas que simplesmente não conseguem dizer a verdade e não é por nenhum desses motivos, é mesmo porque são assim e se sentem bem assim.
Agora, concordo com as ilusões se devem desbloquear e se devem transformar na dura realidade. Apesar de vivermos com base em ilusões e de nos levantarmos todos os dias da cama porque elas existem … devemos viver com a realidade e esquecer os artificios por mais doloroso que seja.
kiss’s
Julho 7, 2008 at 7:07 pm
Catia,
obrigado.
concordo com o facto de que não existe o direito de mentir, no entanto, o problemático é mentir a nós próprios. o porque de iludirmo-nos? por protecção? por fuga de algo que não consigamos lidar no momento? por ignorancia por não sabermos o que fazer?…
Anónimo,
obrigado.
nascer com a mentira cravada?! não entendo um nascimento com origem em mentiras… nao percebo o que quer dizer.
a ‘dura’ realidade como a chama pode não ser assim tão má, tão dura, tão dificil. se calhar ao desbloquear as ilusões que nós próprios criamos vemos um mundo, e uma vida bem mais fácil, mais colorida.
Julho 9, 2008 at 1:52 pm
A propósito das ilusões que nós póprios criamos soube de uma história engraçada sobre como isso contribui para o sofrimento. Dá direito a post!
Julho 9, 2008 at 5:46 pm
Caro Clavis,
lamento o aparecimento tardio do seu comentário. Descobri-o apenas agora. Ao que parece o wordpress tem uma ferramenta para controlar o Spam e não sei porque mas apanhou o seu, ficando numa especie de quarentena.
quanto ao seu comentário… obrigado!!!
não conheço a fundo o budismo, muito menos os ‘paramitas’.
mais uma vez obrigado por enriquecer!
Julho 9, 2008 at 5:47 pm
Viriato,
escreve!
Julho 11, 2008 at 6:18 am
gostei do post.
às vezes a mentira não é uma opção – há quem viva na mentira porque ainda não se apercebeu dessa sua situação. mentira implica percepção da verdade e um acto de vontade de nela viver, mesmo que um acto de cobardia. e é na oposição entre ambas que se mostra a natureza de cada uma.
Julho 14, 2008 at 10:20 am
Alesig,
é um prazer ter-te de volta a este espaço.
concordo com a tua ideia de que a ‘mentira implica percepção da verdade e um acto de vontade nela viver’. mas por vezes nós proprios ocultamo-nos essa percepção da verdade.
Setembro 2, 2008 at 7:11 pm
[...] história, que acho engraçada, é tal que mencionei num comentário ao post a Mentira [...]