a descoberta de uma mentira é um processo de sofrimento para o Homem. há quem viva cravejado de mentiras e vive ‘feliz’ porque o estado de ignorância o protege. mas quando descobre a ilusão entra de imediato em sofrimento. obviamente que também pode ser agente activo da mentira: mente, não deixando, contudo, de sofrer por isso.

existem uma série de categorias e graus da mentira. cada um mede-as com subjectividade, no entanto, penso ser senso comum que as mentiras mais dolorosas, as mais dificeis de suportar (no momento da descoberta) são aquelas em que simultaneamente se é o agente activo e passivo, isto é, quando a pessoa quer iludir-se.

será, talvez, uma decisão sensata caminhar na vida sem esse peso, sem essa ilusão. se depende exclusivamente da própria pessoa então deveria ser fácil eliminar uma das causas do sofrimento. o direito à verdade deveria estar consagrado na Declaração Universal dos Direitos humanos. e quem é que na posse de um direito destes vai negá-lo a si próprio?

não parece racional! no entanto acontece. será que as pessoas são ‘tontas’? acho que não. penso que a resposta está no porquê preferirem a mentira naquele momento. ignorância? fraqueza? cobardia? protecção? ingenuidade? …

proposta de mudança: guardar uns minutos, de vez em quando, para desbloquear as ilusões.