expectativas sobre o exterior

é tão estupido o sofrimento que nós criamos ao desenvolver expectativas sobre as pessoas e circunstâncias. expectativas que não são mais do que extensões e reflexos do nosso modo egoísta de ver o mundo

confirma-se então mais uma vez que somos os carrascos e libertadores de nós próprios. é uma questão de escolha, de querer mudar.

inspiração para mudar as coisas…

” Espero que o trabalho que está feito sirva para estimular os jovens na procura de soluções que retractem os problemas do seu tempo. ”

                                                                    Adriano Correia de Oliveira 

o modo de agir e o instinto

quando a pessoa representa várias personagens durante a sua vida (principalmente no dia-a-dia) consoante os cenários e as outras personagens,  é difícil, mesmo ao fim de algum tempo de reflexão, saber qual o seu modo natural de agir.

Será o instinto o seu modo natural de agir? deverá a pessoa segui-lo? até que ponto, na mania de se encaixar nos planos da acção, não se guardou o instinto algures na confusão?

a naturalidade de amar

(…)Estar apaixonado é a coisa mais madura e realista que se pode fazer. Traz energia às nossas vidas, preenche-nos com uma disposição positiva, desperta a generosidade e torna cada momento pleno de beleza. (…) Estar apaixonado é o nosso estado natural (…)”                        

                                   Brenda Shoshanna, em ‘Zen e a arte de Amar’ 

Gosto de concordar com esta ideia. Certamente estou a ser incoerente. Vocês concordam com a ideia da autora?

Por onde ir? Para onde ir?

Cântico Negro

“Vem por aqui” – dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
– Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
– Sei que não vou por aí!
                                                                   JOSÉ RÉGIO

este poema é impressionante.  é preciso coragem para seguir um rumo próprio, mais além do que se espera de alguém.  coragem para deixar a ‘segurança’ em que muitos seres adormecem. e quantas vezes os que seguem seus próprios caminhos são apelidados de loucos e estranhos.  

há uma beleza neste poema…