Where Do The Children Play?

Cat Stevens (agora Yusuf Islam) como artista deixou-nos músicas muito bonitas. Quer a música quer a sua voz são inconfundíveis.

 A propósito do tema deste blogue, lembrei-me de que este artista deu muito e continua a dar através da música um contributo para que se operem mudanças. Mudanças nas pessoas. É pacifico aceitar que a música tem um impacto profundo na sensibilidade das pessoas, cujo o contacto poderá transformar essa abertura numa maior consciência do que é o Eu, os Outros, e a Vida. 

Achando a sua obra riquíssima desenvolverei aqui a minha visão sobre ela tentando proporcionar uma leitura (subjectiva, evidentemente!!) do que considero uma obra musical, de poesia simples mas mágica. 

“Where do the children play?” olhando para a actualidade continua a não haver resposta para esta pergunta. O desenvolvimento da nossa sociedade seguiu um caminho perturbante, alucinante, ganancioso esquecendo o bem-estar e a qualidade de vida. Quer ao nível do contacto com a natureza, quer ao nível das relações entre cidadãos. Qual é o futuro de uma comunidade que não vela pelos seus membros mais novos?

Where Do The Children Play?

Well I think it’s fine, building jumbo planes.
Or taking a ride on a cosmic train.
Switch on summer from a slot machine.
yes, Get what you want to if you want, ‘cause you can get anything.
 
I know we’ve come a long way,
We’re changing day to day,
But tell me, where do the children play?
 
Well you roll on roads over fresh green grass.
For your lorry loads pumping petrol gas.
And you make them long, and you make them tough.
But they just go on and on, and it seems that you can’t get off.
 
Oh, I know we’ve come a long way,
We’re changing day to day,
But tell me, where do the children play?
 
Well you’ve cracked the sky, scrapers fill the air.
But, will you keep on building higher
‘til there’s no more room up there?
Will you make us laugh, will you make us cry?
Will you tell us when to live, will you tell us when to die?
 
I know we’ve come a long way,
We’re changing day to day,
But tell me, where do the children play?
 

Associada a esta ideia coloco aqui a letra de uma música de Quinta do Bill. É um pensamento sobre Lisboa, mas que servirá muitas cidades modernas.

(que Será De Ti) Lisboa – Quinta do Bill

Há cidades cor-de-cinza, onde as mulheres
se agitam velozmente, como o tempo que passou.
Que memórias guardam, os lugares esquecidos
as pedras do teu silêncio que eu cruzo dia-a-dia.
Onde estão os berços
dos filhos que carregas
não os vês crescer na rua, estão dentro de ti, Lisboa
Há cidades que se envolvem de progresso e tradição
dotadas de uma inteira falta de imaginação.
Fecham-se as esplanadas, sujam-se os passeios
gastam-se os Domingos num gigante templo de consumo.

Onde estão os berços
dos filhos que carregas
não os vês crescer na rua, estão dentro de ti, Lisboa
ninguém escuta a tua prece, que será de ti, Lisboa?  

Países contraditórios e a morte da Democracia

Ontem na SIC o primeiro ministro falava de um país irreal enquanto que na TVI passava uma reportagem do país real. Existia uma grande diferença entre os dois retratos. Evidentemente que não foi apenas os de ontem. O primeiro ministro e todos os membros do poder executivo falam e decidem segundo uma lógica irracional. Irracional do ponto de vista de quem, como eu, está a ser governado. Também os poderia classificar como incompetentes. Porém, a situação é mais grave. O poder executivo e quase todo o poder politico decide segundo uma lógica de interesse, não do povo que os elegeu mas sim do seu e/ou de outro particular.

Penso que isto não apresenta nenhuma novidade.

Ora se o poder eleito não cumpre a vontade do povo e sendo esta a premissa fundamental da Democracia é pacifico poder afirmar que vivemos num regime pseudo-democrático. A crise que o país e o mundo ocidental vivem não é apenas económica (e esta resulta em grande parte por causa do tipo de governo das nossas sociedades) é uma crise estrutural de modelo de sociedade. este seguramente vai cair de podre, como qualquer regime, ou como qualquer civilização.

Convem portanto modificar os nossos comportamentos como cidadãos para que rapidamente de instalem mecanismos de uma nova sociedade com novas regras. mais justa, mais solidária, mais feliz.

recursos próprios

num dos contos de José Régio  – Marina e a Camélia –  o narrador escreve o seguinte: “Mas a Marina vai saltitando e cantarolando; apesar do frio, do pé entrapado e das frieiras. Não parece infeliz! Talvez se sinta contente – a infância dispõe de infinitos recursos.”

Será que ainda disposmos desses recursos? acho que sim. No conto, mais adiante “Mas também não parecia infeliz, o velho Daniel, entre as suas flores, não obstante julgarem os estranhos que vivia em grande solidão e desconforto. A velhice, como a infância, lá tem os seus recursos próprios!”

temos recursos para superarmos as dificuldades ou vicissitudes da vida. temo-los à nossa disposição como na infância e na velhice. para quê queixarmo-nos?!! que desperdício de tempo e oportunidade.