história engraçada e as nossas ilusões

O Rapaz ia estudar durante a tarde. Convidou a Rapariga para um encontro ao final da tarde num jardim em frente à biblioteca onde ia estudar. Chamava-se Plano Ideal e vivia na mente do Rapaz, no entanto, recebeu apenas um talvez ou um ‘se for digo-te’. Ou algo parecido entendido como um sim. Um plano ideal nunca é desfeito por um talvez. O estudo começou bem. À medida que o Tempo passeava ia crescendo um bicho chamado ansiedade. O Plano Ideal ordenou de imediato ao conselho dos adivinhos a justificação da ausência de confirmação. A magnifica produção do conselho emitiu um rol de conclusões perfeitamente lógicas: ‘ainda não sabe’; ‘deve estar prestes a comunicar’; ‘quando sair de lá ela avisa’; ‘quando chegar dá um toque’; ‘um pequeno imprevisto está a atrasa-la’; etc. O Tempo estava parvo: seguia devagar ou depressa consoante as conclusões do conselho dos adivinhos. Até que a Razão emitiu um comunicado a dizer que a Rapariga não vinha nem diria nada. O conselho de adivinhos protestou mas acabou por subscrever, apesar de anunciar um grupo de trabalho especifico para saber o porquê da ausência. O Plano Ideal desfez-se em lágrimas renascendo o Plano Possível. Decretou que o Rapaz fosse sozinho para o jardim. O Rapaz assim fez. Uma Tristeza-menina veio fazer companhia no banco do jardim. Mostrou-lhe as árvores, os pardais, a luz do sol suave, as nuvens de vários tons e formas, as cores do jardim e das pessoas que passavam. Alertou-o para os sons mais escondidos. Balanceou-o na brisa que passava. Distraído com todas essas coisas nem a viu partir. Sorriu e admirou-se por isso. Não sabe de onde veio mas sentiu uma paz e uma alegria comovente (…)

Esta história, que acho engraçada, é tal que mencionei num comentário ao post a Mentira .

As ilusões que nós próprios criamos podem contribuir para o nosso sofrimento. A ilusão que o rapaz criou na sua mente foi a fonte do seu próprio sofrimento. Toda aquela ansiedade e desilusão eram desnecessárias…

Bom pensei mesmo que dava direito a um post. Agora fico na dúvida. Será uma ilusão? As vezes interrogo-me se a minha esperança que o Mundo vai mudar é uma ilusão? É que ninguém fez boicote aos jogos olímpicos de Pequim, a Rússia continua a gozar com Europa Ocidental, em Angola as eleições vão ser ‘livres’, e o governo português continua a achar que comanda carneirada e já atira lama aos olhos dos cidadãos… 

… e procuro a tal alegria e paz. os tais planos possíveis:

“A minha fé mais profunda é que podemos mudar o mundo pela verdade e pelo amor.” / “Você deve ser a própria mudança que deseja ver no mundo.” / “O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente.” Mahatma Gandhi