Carta para Adriano Correia de Oliveira

Caro Adriano,

Faz hoje 30 anos que partiste. Um dia terás dito “ Espero que o trabalho que está feito sirva para estimular os jovens na procura de soluções que retractem os problemas do seu tempo.”

Agradeço e admiro o teu exemplo, porque é de uma coragem e beleza extremas. É o que precisamos hoje. Coragem para romper com o sistema instituído e firmeza para lutarmos por ideais belos.

Vivemos tempos conturbados. Ontem, centenas de pessoas manifestaram-se em frente à Assembleia da República exigindo a demissão do governo, dos deputados.

Sabes, o fascismo está de volta! O eterno retorno do fascismo de acordo com Rob Riemen. Subscrevo a ideia.

Em trinta e tal anos deixámo-nos aprisionar. Não sei como aconteceu mas somos governados por medíocres, e em democracia! Devia ser um paradoxo.

Os tempos são dramáticos. O teu amigo, Manuel Alegre, diz que quando vocês lutaram tinham um horizonte de esperança, e que hoje a situação é dramática porque não existem perspectivas melhores.

A verdade é que colectivamente portamo-nos mal. Não temos a desculpa de vivermos em ditadura. Acomodámo-nos. Cada um tratou da sua vida e alguém tratou da nossa. O fenómeno não é só Português. Há quem mate a sua cabeça em soluções dentro deste sistema, mas é um labirinto impossível.

Todavia, meu caro, há tanta coisa para fazer! Cabe a nós agora a tarefa de lutar pela liberdade, pela pureza, pelo amor. Acredito nas nossas raízes. Buscar ao Antigo e reexpressar no Presente. Tal como tu, quando foste recuperar as nossas cancões tradicionais. É o que nós teremos que fazer.

Obrigado pelas tuas canções, pela tua voz, e sobretudo pelo teu exemplo.

Saudades,

inspiração para mudar as coisas…

” Espero que o trabalho que está feito sirva para estimular os jovens na procura de soluções que retractem os problemas do seu tempo. ”

                                                                    Adriano Correia de Oliveira