Fernando Lopes Graça nasceu há 106 anos

Fernando Lopes Graça “No decurso de uma entrevista concedida em 1986, Lopes-Graça afirmou que a sua atuação enquanto artista era inseparável dos compromissos que, como cidadão, tinha com a “Cidade” e com a “Grei”(…)”

http://cvc.instituto-camoes.pt/conhecer/bases-tematicas/figuras-da-cultura-portuguesa/1407-fernando-lopes-graca.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Lopes-Gra%C3%A7a

Ultima entrevista (sobre Michel Giacometti):

http://videos.sapo.pt/TRFQ6Sd9iaFhnBIdhslv

CASA MEMORIAL

http://casamemorialopesgraca.blogspot.pt/

CORO:

http://www.academiaam.com/?action=3101

algumas musicas:

Acordai

Firmeza

Mãe Pobre

Os Homens que Vão Para a Guerra

 

Outono (perspectivas)

Não há dúvida que estamos ligados à Natureza e aos seus ciclos. Mudamo-nos com os ciclos? Ou são eles (os ciclos) que nos mudam? que invadem o nosso interior? Ou será que estamos sempre ligados (mesmo que inconscientemente)? Há uma multiplicidade de ideias e sentimentos. Haverá algum denominador comum ao Outuno?

Exemplos:

Carta para Adriano Correia de Oliveira

Caro Adriano,

Faz hoje 30 anos que partiste. Um dia terás dito “ Espero que o trabalho que está feito sirva para estimular os jovens na procura de soluções que retractem os problemas do seu tempo.”

Agradeço e admiro o teu exemplo, porque é de uma coragem e beleza extremas. É o que precisamos hoje. Coragem para romper com o sistema instituído e firmeza para lutarmos por ideais belos.

Vivemos tempos conturbados. Ontem, centenas de pessoas manifestaram-se em frente à Assembleia da República exigindo a demissão do governo, dos deputados.

Sabes, o fascismo está de volta! O eterno retorno do fascismo de acordo com Rob Riemen. Subscrevo a ideia.

Em trinta e tal anos deixámo-nos aprisionar. Não sei como aconteceu mas somos governados por medíocres, e em democracia! Devia ser um paradoxo.

Os tempos são dramáticos. O teu amigo, Manuel Alegre, diz que quando vocês lutaram tinham um horizonte de esperança, e que hoje a situação é dramática porque não existem perspectivas melhores.

A verdade é que colectivamente portamo-nos mal. Não temos a desculpa de vivermos em ditadura. Acomodámo-nos. Cada um tratou da sua vida e alguém tratou da nossa. O fenómeno não é só Português. Há quem mate a sua cabeça em soluções dentro deste sistema, mas é um labirinto impossível.

Todavia, meu caro, há tanta coisa para fazer! Cabe a nós agora a tarefa de lutar pela liberdade, pela pureza, pelo amor. Acredito nas nossas raízes. Buscar ao Antigo e reexpressar no Presente. Tal como tu, quando foste recuperar as nossas cancões tradicionais. É o que nós teremos que fazer.

Obrigado pelas tuas canções, pela tua voz, e sobretudo pelo teu exemplo.

Saudades,

Where Do The Children Play?

Cat Stevens (agora Yusuf Islam) como artista deixou-nos músicas muito bonitas. Quer a música quer a sua voz são inconfundíveis.

 A propósito do tema deste blogue, lembrei-me de que este artista deu muito e continua a dar através da música um contributo para que se operem mudanças. Mudanças nas pessoas. É pacifico aceitar que a música tem um impacto profundo na sensibilidade das pessoas, cujo o contacto poderá transformar essa abertura numa maior consciência do que é o Eu, os Outros, e a Vida. 

Achando a sua obra riquíssima desenvolverei aqui a minha visão sobre ela tentando proporcionar uma leitura (subjectiva, evidentemente!!) do que considero uma obra musical, de poesia simples mas mágica. 

“Where do the children play?” olhando para a actualidade continua a não haver resposta para esta pergunta. O desenvolvimento da nossa sociedade seguiu um caminho perturbante, alucinante, ganancioso esquecendo o bem-estar e a qualidade de vida. Quer ao nível do contacto com a natureza, quer ao nível das relações entre cidadãos. Qual é o futuro de uma comunidade que não vela pelos seus membros mais novos?

Where Do The Children Play?

Well I think it’s fine, building jumbo planes.
Or taking a ride on a cosmic train.
Switch on summer from a slot machine.
yes, Get what you want to if you want, ‘cause you can get anything.
 
I know we’ve come a long way,
We’re changing day to day,
But tell me, where do the children play?
 
Well you roll on roads over fresh green grass.
For your lorry loads pumping petrol gas.
And you make them long, and you make them tough.
But they just go on and on, and it seems that you can’t get off.
 
Oh, I know we’ve come a long way,
We’re changing day to day,
But tell me, where do the children play?
 
Well you’ve cracked the sky, scrapers fill the air.
But, will you keep on building higher
‘til there’s no more room up there?
Will you make us laugh, will you make us cry?
Will you tell us when to live, will you tell us when to die?
 
I know we’ve come a long way,
We’re changing day to day,
But tell me, where do the children play?
 

Associada a esta ideia coloco aqui a letra de uma música de Quinta do Bill. É um pensamento sobre Lisboa, mas que servirá muitas cidades modernas.

(que Será De Ti) Lisboa – Quinta do Bill

Há cidades cor-de-cinza, onde as mulheres
se agitam velozmente, como o tempo que passou.
Que memórias guardam, os lugares esquecidos
as pedras do teu silêncio que eu cruzo dia-a-dia.
Onde estão os berços
dos filhos que carregas
não os vês crescer na rua, estão dentro de ti, Lisboa
Há cidades que se envolvem de progresso e tradição
dotadas de uma inteira falta de imaginação.
Fecham-se as esplanadas, sujam-se os passeios
gastam-se os Domingos num gigante templo de consumo.

Onde estão os berços
dos filhos que carregas
não os vês crescer na rua, estão dentro de ti, Lisboa
ninguém escuta a tua prece, que será de ti, Lisboa?  

De vez quando a vida…

De Vez En Cuando La Vida

De vez en cuando la vida
Nos besa en la boca
Y a colores se despliega como un atlas,
Nos pasea por las calles en volandas
Y nos sentimos en buenas manos.

Se hace de nuestra medida,
Toma nuestro paso
Y saca un conejo de la vieja chistera
Y uno es feliz como un niño
Cuando sale de la escuela.

De vez en cuando la vida
Toma conmigo café
Y está tan bonita que dá gusto verla.
Se suelta el pelo y me invita
A salir con ella a escena.

De vez en cuando la vida
Se nos brinda en cueros
Y nos regala un sueño tan escurridizo
Que hay que andarlo de puntillas
Por no romper el hechizo.

De vez en cuando la vida
Afina con el pincel,
Se nos eriza la piel y faltan palabras
Para nombrar lo que ofrece
A los que saben usarla.

De vez en cuando la vida
Nos gasta una broma
Y nos despertamos sin saber
Qué pasa, chupando un palo sentados
Sobre una calabaza.

                                         JOAN MANUEL SERRAT