A mudança politica necessária!

O discurso do Presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, é extraordinário pelo retrato actual do modelo de desenvolvimento mundial assim como aponta para a mudança que é realmente necessária, o modelo de desenvolvimento da felicidade humana. Ora escutem:

Poema do Menino Jesus / Doce mistério da vida

Poema do Menino Jesus

Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.

No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas –
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou –
“Se é que ele as criou, do que duvido.” –
“Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.”
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.

… … … … … … … … … … … … … … … … … … …

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

… … … … … … … … … … … … … … … … … … …

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar

Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
… … … … … … … … … … … … … … … … … … …

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?

Alberto Caeiro

 

Doce Mistério da Vida
Maria Bethânia
Composição: Victor Herbert / Rida Johnson Young (versão: Alberto Ribeiro)

Minha vida que parece muito calma
Tem segredos que eu não posso revelar
Escondidos bem no fundo de minh’alma
Não transparecem nem sequer em um olhar
Vive sempre conversando à sós comigo
Uma voz eu escuto com fervor
Escolheu meu coração pra seu abrigo
E dele fez um roseiral em flor
A ninguém revelarei o meu segredo
E nem direi quem é o meu amor

 

onde estará a verdade? na soma das perspectivas diferentes? no mistério da vida?  é o coração o veiculo para o centro do universo? que tal escutar o nosso menino Jesus, ou o nosso coração, para que possamos mudar e sermos felizes…

revolutionary road

Se uma pessoa não preenche o vazio que se abre dentro dela isso torna-se uma necessidade não satisfeita que condiciona a sua felicidade.

As personagens principais do filme ‘Revolutionary Road’ entram em ruptura com elas próprias dinamitando a própria relação (consequência lógica). Como escapar a essa loucura? Ao tal vazio desesperante?! A lucidez não basta. O argumento do filme não dá resposta nem pistas. Apenas identifica o problema e demonstra a precipitação para a tragédia de quem não consegue iludir-se ou de quem não consegue acomodar-se.

Quer sejamos jovens ou adultos os sonhos que não realizamos terão que ser substituídos por outros, caso contrário, ficamos agarrados a uma decepção (connosco) entrando num caminho depressivo e abrindo um vazio. Se, por outro lado, não sabemos o que queremos da vida … aí penso que a tarefa de encontrar o sentido é mais complicada. É navegar sem orientação e aí nenhum vento será favorável como dizia Séneca. Provavelmente ter-se-á que pensar fora dos limites que nos impusemos. Voltar a ser Criança, voltar à Simplicidade, à Natureza talvez seja a resposta. Recomeçar. O acto de interrogar a Vida é um acto inteligente visto que a dialogar é que os humanos se entendem.

A Felicidade exige valentia.

A felicidade exige valentia.

“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço que minha vida  é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber um crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”

                                                          Fernando Pessoa – 70º aniversário da sua morte

(texto recebido por mail. obrigado D.ª M.A.)

Espírito Olímpico

Desconheço a plenitude do espírito olímpico. Também desconheço a plenitude do espírito do atleta olímpico.

 

Penso que uma parte dele será o da dedicação de corpo e alma a um determinado objectivo que se traduz na execução de uma tarefa desportiva.

 

Existe a preparação física, emocional, mental e espiritual que combina bem com a atitude de alta competição.

 

Fez-me pensar que traduzindo esse ambiente para as nossas vidas seria interessante interrogarmo-nos se temos esse espírito olímpico nas nossas vidas. (se é que é benéfico!!??)

 

Será que nos esforçamos para a medalha de ouro?

 

Será que nas modalidades praticadas em grupo fazemos o nosso melhor?

 

Que objectivos/metas traçamos para as ‘nossas’ provas olímpicas? Serão realistas? Será que chegamos estabelecê-las?

 

Proposta de mudança: trabalhar a excelência olímpica na nossa vida.

 

Moonshadow – Cat Stevens, Anjos e Aquarela

Cat Stevens – Moonshadow

Oh, I’m bein’ followed by a moonshadow, moonshadow, moonshadow
Leapin and hoppin’ on a moonshadow, moonshadow, moonshadow
 
And if I ever lose my hands, lose my plough, lose my land,
Oh if I ever lose my hands, Oh if…. I won’t have to work no more.
And if I ever lose my eyes, if my colours all run dry,
Yes if I ever lose my eyes, Oh if…. I won’t have to cry no more.
 
And if I ever lose my legs, I won’t moan, and I won’t beg,
Yes if I ever lose my legs, Oh if…. I won’t have to walk no more.
And if I ever lose my mouth, all my teeth, north and south,
Yes if I ever lose my mouth, Oh if…. I won’t have to talk…
 
Did it take long to find me? I asked the faithful light.
Did it take long to find me? And are you gonna stay the night? 
 

é preciso uma grande fé, uma enorme disponibilidade para viver, para se sentir deste modo!

e aliás temos sempre a ajuda de Anjos na Terra:

e perspectivas da vida para investigar:

AQUARELA

Composição: Guido Morra, Maurício Fabrizio, Toquinho e Vinícius de Moraes
Interpretação: Toquinho

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva

Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
Vai voando, contornando a imensa curva Norte e Sul
Vou com ela, viajando, Havai, Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela branco, navegando, é tanto céu e mar num beijo azul

Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo, com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo, sereno, indo
E se a gente quiser ele vai pousar

Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
Com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida
De uma América a outra consigo passar num segundo
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo

Um menino caminha e caminhando chega no muro
E ali logo em frente, a esperar pela gente, o futuro está
E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar

Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia, enfim, descolorirá

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo (Que descolorirá)
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo (Que descolorirá)
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo (Que descolorirá)

Desafio

“(…) ando a aprender a pescar o peixe-Paz, mas quando me oferecem uma rosa-Paz não tenho vocabulário para agradecer.”
                                     Arped Lasidarmo

Fotografia de Umbíguo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este post é a resposta ao desafio lançado por Umbíguo a 25 de Maio de 2008

É nos pedida uma frase, um conceito acompanhado de uma imagem, para uma curta biografia (nossa).

Devemos colocar um link para quem nos desafiou e desafiar 5 bloggers.

Desafio os seguintes: Verdades D’Arnaldo, The In Me, Cantares de Amigo, Encosta do Mar, In the Wave of thought!

Instrumento de mudança

Ontem na RTP ainda apanhei parte do último episódio de uma suposta mini-série ‘Francisco e Clara’ sobre a vida de Francisco de Assis e Clara de Assis. Exemplos de uma vida de transformação espiritual.

Lembrei-me de colocar no blogue uma oração que pensava eu ter sido escrito por São Francisco mas que pelos vistos foi associada a ele. De qualquer maneira acho-a extremamente bonita, profunda e reveladora de grande transformação.

Senhor:
Fazei de mim um instrumento de vossa Paz!
Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde houver Discórdia, que eu leve a União.
Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé.
Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.
Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.
Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.
Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!
Ó Mestre,
fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe.
Perdoando, que se é perdoado e
é morrendo, que se vive para a vida eterna!
Amém

Desiderata

Este texto é de Max Ehrmann e esta tradução é de Padre António Maria Cabral. Um texto que me encontrou há uns anos e que há pouco tempo redescobri.

DESIDERATA

Caminha pacificamente por entre o ruído e a pressa; lembra-te da paz que pode haver no silêncio. Tanto quanto puderes, e sem transigências, vive em harmonia com todas as pessoas. Diz o que pensas serena e limpidamente, e escuta os outros, mesmo os banais e os ignorantes; também eles têm uma palavra a dizer. Evita os barulhentos e os agressivos, porque são uma tortura para o espírito.

Se te comparares com os outros, podes tornar-te vaidoso e amargo, pois sempre haverá pessoas maiores e menores que tu. Goza os teus triunfos e os teus projectos. Interessa-te pela tua vida, por mais humilde que seja; é um bem autêntico, apesar das mudanças e dos tempos.

Tem cautela nos negócios, porque o mundo está cheio de perigos. Mas não deixes que isso te cegue em relação ao bem que existe. Muitas pessoas lutam por ideais elevados, e em toda a parte a vida está cheia de heroísmos. Sê quem és. Especialmente não aparentes afeições que não sintas. E também não sejas cínico quanto ao amor; não obstante a aridez e o desencanto, o amor é perene com a relva.

Aceita docemente o conselho dos anos, abdicando de boa vontade das coisas da juventude. Cultiva a força do espírito, para te proteger de súbitas desgraças. Mas não te tortures com imaginações. Muitos medos nascem do cansaço e do aborrecimento.

Para além duma íntegra disciplina, trata-te bem a ti mesmo. És filho do universo, como as árvores e as estrelas. E quer o vejas claramente ou não, o universo evolui como deve.

Por tudo isto, vive em paz com Deus, seja qual for a ideia que d’Ele tenhas. E quaisquer que sejam as tuas lutas e aspirações na ruidosa confusão da vida, permanece em paz com a tua alma. Com todos os equívocos e incómodos, continua a ser um mundo muito bonito. Alegra-te. Esforça-te por ser feliz.

O que acharam? apenas bonito?  não haverá aqui algumas ideias interessantes,  libertadoras?!! penso que também se manifesta a ideia de que está na pessoa ao poder e a responsabilidade de mudar as coisas.